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Gestão de vulnerabilidades: como atribuir responsabilidades

Gestão de vulnerabilidades

Essa pergunta está no centro de um dos maiores desafios da gestão de vulnerabilidades. Em muitas empresas, falhas permanecem abertas por semanas não porque falte tecnologia, mas porque não há clareza sobre quem deve agir.

Quando não existe definição de responsabilidades, a segurança perde eficiência. A vulnerabilidade passa a circular entre times sem que ninguém assuma a correção. O resultado, portanto, é um risco real de exposição: o ativo continua vulnerável, enquanto segurança, engenharia e produto discutem quem deveria tomar a decisão.

Responsabilidades: fator crítico na gestão de vulnerabilidades

O NIST reforça esse ponto no documento Cybersecurity Framework – NIST CSWP 29. A gestão de vulnerabilidades não se resume à coleta de dados técnicos. Para ser eficaz, ela precisa de governança. Isso significa identificar o ativo afetado, definir quem é o responsável e avaliar o impacto que uma exploração pode trazer para o negócio.

Além disso, essa necessidade de contexto já foi discutida em nosso artigo sobre gestão de vulnerabilidades com foco no negócio, onde mostramos como a severidade técnica sozinha não é suficiente para priorizar correções.

Outro aspecto relevante é o uso de métricas como o EPSS (Exploit Prediction Scoring System), que ajuda a estimar a probabilidade de exploração. Consequentemente, essa abordagem, que detalhamos no artigo sobre gerenciamento de bibliotecas vulneráveis com EPSS, complementa a análise de responsabilidades ao trazer previsibilidade para o risco.

A falta dessa estrutura transforma a gestão em um processo lento e desalinhado. Em outras palavras, detectar falhas sem clareza de responsabilidade é, na prática, deixar portas abertas para potenciais ataques.

Por que definir o dono da vulnerabilidade é essencial

Na gestão de vulnerabilidades, cada falha identificada precisa ter um responsável direto. Essa definição não é burocrática: ela garante que o problema seja tratado com urgência e de acordo com o impacto real no negócio.

Quando ninguém assume a responsabilidade, a vulnerabilidade fica registrada, mas não recebe a devida atenção. Assim, a correção atrasa e a janela de exposição se amplia.

O Cybersecurity Framework – NIST CSWP 29 destaca três pilares que devem ser considerados:

  • Identificar o ativo afetado
  • Determinar quem é o responsável
  • Avaliar o impacto no negócio em caso de exploração

Na prática, quando a vulnerabilidade não tem dono, o processo trava. O time de segurança sinaliza a falha, engenharia discute prioridades e produto transfere a responsabilidade. Enquanto isso, a falha continua aberta e aumenta a exposição da organização.

Impactos da falta de responsabilidades na gestão de vulnerabilidades

A ausência de definição clara de responsáveis não compromete apenas a rotina de segurança, engenharia e produto. Pelo contrário, ela gera efeitos mensuráveis em outras áreas críticas da organização:

  • Compliance e auditoria: Quando não há dono para cada vulnerabilidade, a empresa falha em demonstrar controle efetivo sobre riscos. Isso resulta em não conformidades durante auditorias de normas como ISO 27001, PCI-DSS e NIST CSF, já que não existe evidência documentada de quem avaliou, decidiu e corrigiu a falha.
  • Governança de TI: A governança depende de métricas consistentes para medir maturidade e evolução. Sem donos definidos, relatórios apresentam lacunas em indicadores como tempo médio de correção (MTTR), taxa de vulnerabilidades críticas abertas e aderência às SLAs.
  • Liderança executiva: A diretoria precisa de dados consolidados para decisões estratégicas. Quando vulnerabilidades não têm dono, relatórios chegam incompletos ou sem rastreabilidade de ações: não se sabe quem atrasou a correção, qual área resistiu à priorização ou quais riscos realmente foram mitigados. 

Como mapear ativos e atribuir responsabilidades de forma eficaz

Definir o dono de cada vulnerabilidade exige mais do que apontar nomes. Na verdade, é um processo que depende de mapeamento estruturado de ativos, clareza sobre responsáveis e critérios objetivos de priorização. Para alcançar esse nível de governança, a organização pode seguir algumas etapas:

  1. Mapear e classificar ativos críticos – Crie um inventário centralizado de todos os ativos — aplicações, APIs, bancos de dados, servidores, repositórios e componentes de terceiros. Classifique cada item segundo critérios como:
    • Se o recurso está em produção ou em ambiente de teste.
    • Se possui exposição externa (acessível via internet).
    • Qual impacto operacional e financeiro sofreria o negócio em caso de exploração.
  2. Vincular ativos a responsáveis claros – Estabeleça a relação direta entre cada ativo e seu responsável. Essa atribuição deve considerar tanto a autoridade técnica (quem consegue corrigir a falha) quanto o contexto de negócio (quem entende o impacto da decisão).
  3. Definir janelas de exposição aceitáveis – Para cada categoria de ativo, determine prazos máximos de correção com base em risco. Exemplo: vulnerabilidades críticas em sistemas expostos à internet podem ter SLA de 7 dias, enquanto falhas de baixa criticidade em ambientes internos podem ter SLA maior.
  4. Estabelecer fluxos de escalonamento – Defina rotas claras para situações em que o responsável direto não corrige no prazo. Escalonar para gestores de área ou para o comitê de risco garante que vulnerabilidades não fiquem indefinidamente abertas.
  5. Registrar responsabilidades de forma rastreável – Documente as atribuições em ferramentas de gestão de vulnerabilidades.
  6. Apoiar com ferramentas modernas de gestão – Utilize soluções que automatizam a atribuição de vulnerabilidades com base em metadados (aplicação, repositório, time responsável). 

Primeiros passos para começar a estruturar responsabilidades

O primeiro passo para garantir que nenhuma vulnerabilidade fique órfã é estruturar um processo claro e objetivo. Isso não depende de grandes investimentos iniciais; ao contrário, exige disciplina e organização. Para começar, você pode colocar essas 3 ações em prática:

  1. Levante o inventário de ativos – Mapeie todos os sistemas, aplicações e serviços utilizados pela organização. Classifique-os de acordo com criticidade: quais estão em produção, quais são expostos à internet e quais suportam processos essenciais do negócio.
  2. Defina responsáveis por cada área – Associe cada ativo a um responsável direto, seja um time ou uma pessoa. Essa atribuição precisa ser oficial e registrada, eliminando ambiguidades. A regra é simples: se uma vulnerabilidade for identificada naquele ativo, o responsável já está definido e deve agir.
  3. Crie um fluxo de notificação estruturado – Estabeleça um processo de comunicação ágil entre segurança, engenharia e produto. Sempre que uma vulnerabilidade crítica for identificada, o responsável deve ser notificado automaticamente e ter visibilidade clara do prazo de correção. 

Benefícios da governança clara na gestão de vulnerabilidades

Quando cada vulnerabilidade tem um dono definido, a gestão deixa de ser um processo fragmentado e passa a operar de forma coordenada. Isso gera ganhos tangíveis para a organização:

  • Redução efetiva do backlog: Vulnerabilidades não ficam esquecidas em relatórios ou circulam entre times. Com responsáveis atribuídos, cada falha entra em um fluxo claro de tratamento.
  • Agilidade na resposta: Atribuição automática de donos elimina debates sobre “quem deve corrigir” e acelera a entrega. Vulnerabilidades críticas chegam diretamente ao time responsável com prazos claros, reduzem o MTTR e encurtam a janela de exposição.
  • Visibilidade acionável para a liderança: Relatórios deixam de ser apenas listas técnicas de falhas. Eles evidenciam quem atua, qual é o prazo de correção e quais riscos permanecem em aberto.
  • Engajamento entre segurança e engenharia: A clareza de responsabilidades elimina o jogo de empurra. Segurança atua como provedora de contexto de risco. Engenharia assume sua responsabilidade direta e prioriza correções de forma alinhada ao negócio, o que reduz conflitos de prioridade.

Governança de vulnerabilidades como indicador de maturidade

Clareza de responsabilidades é o que separa times que apenas registram falhas de organizações que realmente reduzem riscos. Portanto, definir donos de vulnerabilidades não é apenas uma prática operacional. O backlog diminui, a correção ganha prioridade e a liderança tem visibilidade sobre a real exposição da empresa.

Sem essa governança, a segurança se transforma em uma disputa de prioridades. O resultado é previsível: vulnerabilidades críticas permanecem abertas, a pressão sobre engenharia aumenta e a percepção de maturidade se perde.

Definir donos de vulnerabilidades não é apenas uma prática operacional. É uma decisão estratégica que conecta segurança, tecnologia e negócio em torno de um objetivo comum: reduzir riscos de forma clara, rastreável e sustentável.

Vuln Intelligence: visibilidade e governança para decisões seguras

Para que essa governança se torne realidade, não basta atribuir responsabilidades manualmente. É preciso consolidar dados, eliminar duplicidades e fornecer visibilidade sobre quem responde por cada ativo e vulnerabilidade.

O Vuln Intelligence, módulo da Conviso Platform, foi criado para apoiar exatamente esse desafio. Ele centraliza findings de múltiplas ferramentas, aplica priorização baseada em risco real e entrega rastreabilidade completa das decisões. Com dashboards claros e integração ao fluxo de engenharia, cada vulnerabilidade ganha dono, contexto e prioridade alinhada ao impacto de negócio.

👉 Entre em contato com nossos especialistas e fortaleça a segurança da sua organização com decisões mais rápidas e assertivas.

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